Nem só de ovos vive a Páscoa, e, em 2026, isso fica ainda mais evidente nas prateleiras e no bolso do consumidor. A data, tradicionalmente associada ao chocolate, se espalha por uma cesta mais ampla de consumo: balas, lembranças, brinquedos, itens de decoração e composições criativas ganham espaço em um cenário em que o preço pesa mais na decisão de compra.
Entretanto, o movimento não esfria o varejo. A expectativa é de um faturamento de R$ 3,57 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), impulsionado por consumidores que seguem engajados com a celebração, ainda que de forma diferente, reorganizando o orçamento para manter a data no calendário.
Essa mudança já é sentida diretamente nas lojas. “O consumidor não deixou de comprar para a Páscoa, ele só mudou a forma de consumir. Hoje, vemos uma procura maior por alternativas que permitam montar a celebração de forma mais equilibrada, sem concentrar tudo em um único item como o chocolate”, afirma Rogerio Zorzetto, CEO da Prioridade 10, maior franquia de lojas com produtos sazonais a preço popular do Brasil. Segundo ele, cestas personalizadas, peças decorativas e produtos de menor valor unitário têm ganhado protagonismo, ampliando as possibilidades de escolha.
Os dados confirmam esse comportamento mais racional. Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil aponta que 65% dos brasileiros pretendem realizar compras para a data, um aumento de 4,2 milhões de pessoas em relação ao ano passado. Ao mesmo tempo, 82% afirmam que vão pesquisar preços antes de decidir, movimento que favorece redes de varejo com preços tabelados e maior previsibilidade.
Na prática, o consumidor passa a seguir dois caminhos: de um lado, intensifica a busca por melhores preços, comparando valores e concentrando compras em lojas que oferecem mais controle sobre o gasto; de outro, diversifica o consumo com alternativas que vão além do ovo tradicional, como cestas de presentes, combinações de bombons e balas e até a valorização de itens decorativos, que ajudam a compor a experiência da data.
Esse redesenho da Páscoa no varejo amplia o papel da criatividade na decisão de compra. “O cliente está mais aberto a montar a própria Páscoa. Ele combina produtos, escolhe lembranças, investe em detalhes. Isso muda completamente a dinâmica dentro da loja e abre espaço para um mix muito mais variado”, completa Zorzetto.
Porém, isso não significa que o chocolate sai da cena. O produto segue relevante, mas com uma nova configuração de consumo, e com concorrência mais direta. O segmento caseiro e artesanal, por exemplo, se consolida como uma alternativa forte. Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, 40% dos consumidores têm intenção de comprar ovos de Páscoa, enquanto 32% pretendem adquirir bombons e barras, categorias diretamente associadas à produção artesanal.
Esse movimento também se reflete na formação de novos empreendedores. “A procura por cursos profissionalizantes em confeitaria cresce muito nesse período. Muita gente começa como uma renda extra e acaba transformando isso em principal fonte de lucro”, afirma Glaucio Athayde, CEO do Instituto Gourmet, escola especializada em cursos profissionalizantes na área da gastronomia. Ele destaca que os chocolates artesanais ganham força por fatores como personalização, variedade de sabores e a proximidade com o consumidor.
Na prática, o boca a boca, as encomendas entre conhecidos e a possibilidade de criar produtos sob medida colocam o artesanal em posição competitiva direta com o varejo tradicional. “Assim como as redes com preços mais acessíveis ganham espaço, o artesanal também se destaca por oferecer algo único, com valor agregado e conexão emocional”, completa Athayde.
Matéria publicada nos sites ABC da Comunicação e Blog do Ned.
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